10 mitos sobre espadas que não têm base na realidade

De filmes de piratas até às intermináveis películas baseadas nas histórias dos Três Mosqueteiros, passando por cavaleiros medievais e filmes de samurai de diretores como Akira Kurosawa, as espadas são uma parte permanente da imaginação de quem consome cultura pop. No entanto, muitos pedaços de conhecimento comum que temos – ou achamos que temos – sobre espadas estão simplesmente incorretos. Confira algumas informações que as pessoas tendem a confundir sobre estas armas fascinantes.

10. Florestes são leves e delicados

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Cada década tem seu próprio filme de Os Três Mosqueteiros – algumas possivelmente até mesmo mais do que um. Isso garantiu que o florete ficasse bem vivo em nossas cabeças como a arma preferida de aristocratas europeus um tanto frescos, porém mortais. Isso faz com que as pessoas geralmente acreditem que estas armas são leves e delicadas. Na verdade, a maioria dos floretes pesa entre 1 e 1,4 quilogramas, o mesmo que espadas longas.

Muitos floretes têm lâminas mais estreitas do que as outras espadas da época do renascimento, mas eles também são mais longos, com cerca de 107 centímetros. A razão pela qual pensamos que floretes são particularmente leves é provavelmente porque nós os confundimos com outras espadas com centro axial, como pequenas espadas do século 18.

9. Espadas medievais de duas mãos e espadas renascentistas pesavam mais de 5 quilogramas

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Este mito é o inverso do descrito acima. Enquanto espadas longas medievais pesavam aproximadamente o mesmo que um florete, na Renascença houveram espadas de duas mãos que eram realmente mais pesadas. No entanto, estas grandes espadas ainda só variavam entre 2 e 4 quilogramas. Elas eram frequentemente utilizadas tanto no campo de batalha quanto como auto defesa. Histórias do século 17 apontam que estas espadas largas eram particularmente adequadas para cortar vários adversários.

O erro novamente surge quando dois tipos semelhantes de espadas são confundidos. Há espadas renascentistas que são realmente muito pesadas, mas elas eram usadas em execuções e como espadas cerimoniais, não sendo muito bem vistas no campo de batalha. Mas mesmo esses tipos de espada muitas vezes pesam cerca de 5 kg e apenas alguns exemplos extremos são mais pesadas do que isso.

8. Armas de fogo tornaram espadas obsoletas

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Este é o equívoco nesta lista que mais se aproxima da verdade. A pólvora, de fato, colocou as armas brancas em outro patamar, mas isso demorou muito mais tempo do que você imagina para acontecer.

No período mais primitivo do uso da pólvora, a imprecisão e lentidão do carregamento das armas de fogo significava que espadas permaneciam uma arma viável. Por meados do século 19, armas como revólveres e rifles produzidos em massa certamente fizeram da empunhadura de uma espada em um combate uma proposta bastante arriscada. Mas a maioria das potências europeias lutavam guerras coloniais contra adversários que muitas vezes só tinham acesso a armas de fogo obsoletas em quantidades limitadas. Por exemplo, em 1898, os holandeses enviaram seus soldados para a Indonésia com um curto cutelo, adequado para combates na selva.

Foi realmente só na Primeira Guerra Mundial que o combate com espadas deixou de ser uma parte esperada da guerra. Ao longo do século 19, esgrima com sabres era uma parte importante da formação dos agentes militares, como ilustrado pelo grande número de manuais produzidos para uso militar.

7. Culturas históricas utilizavam apenas um tipo de espada

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Nos filmes, geralmente podemos adivinhar o tipo de espada que uma pessoa vai usar por sua etnia. Um romano usaria um Gládio, um escocês a Claymore, e uma pessoa japonesa uma Katana. Mas muitas dessas armas icônicas foram utilizadas apenas em determinados períodos e foram muitas vezes usadas em conjunto com outras armas, dependendo do contexto.

O Gládio romano foi adotado no século III aC pelos Celtiberos, na Espanha. Posteriormente, exércitos romanos do final do segundo para o terceiro século em diante substituíram o Gládio por uma espada mais longa, a Espata. A famosa Katana japonesa era uma substituta para vários tipos de espada anteriores, incluindo uma muito semelhante ao Jian chinês, o Chokutu. Mesmo durante o auge da popularidade da Katana, espadas alternativas, como os Nodachi, mais longos, ainda eram usados.

6. Apenas pessoas de status social alto usavam espadas

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No início da Idade Média, as espadas eram caras e um sinal de status elevado. Soldados comuns utilizavam principalmente lanças. Códigos de leis do século 9 na Europa colocavam o valor de uma espada com bainha em 7 solidi (um tipo de moeda de ouro), o mesmo que um bom cavalo. Nós sabemos que algumas espadas mais refinadas poderiam valer muito mais.

No final da Idade Média, as espadas custavam mais ou menos tanto quanto os carros de hoje: era possível uma versão mais barata, uma para o dia a dia ou uma extremamente cara. Uma espada barata na década de 1340 poderia custar cerca de 6 pence, o mesmo que um dia de salário de um arqueiro montado do exército Inglês servindo na França naquele mesmo período. Ilustrações de manuscritos mostram que não só haviam espadas baratas ao alcance de um soldado comum, mas muitos arqueiros usavam-nas como armas secundárias.

Muitas pessoas conhecem a Katana como o símbolo do samurai, e, na verdade, no Período Edo (1603-1868), ela era a prerrogativa legal da classe samurai. No entanto, antes da longa paz do Período Edo, a propriedade de espadas entre o campesinato era comum o suficiente para que Toyotomi Hideyoshi tenha emitido um decreto exigindo que todos os agricultores entregassem suas armas para evitar revoltas camponesas.

5. É possível cortar uma espada em duas

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Esta afirmação geralmente vem em duas formas. Uma é baseada no pensamento de que floretes são delicados e, portanto, podem ser cortados por uma espada maior. Na realidade, testes feitos com armas de reprodução descobriram que mesmo com golpes repetidos, floretes não se quebram em duas partes.

A segunda variedade vem da mitologia em torno das katanas. Enquanto a katana é uma arma de corte excelente, ela não pode alcançar o que é fisicamente impossível. Os Mythbusters testaram um corte de uma katana em outra, e até mesmo um braço de robô não foi capaz de cortar uma lâmina em duas.

4. Espadas cortam ao menor toque

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Não há dúvida de que as espadas são afiadas, mas muitas vezes as pessoas não compreendem exatamente o que é preciso para cortar algo ou alguém com uma espada. O corte tem de ser feito com a técnica e a mecânica corporal corretas. O corte não para após a espada entrar em contato com o alvo. O espadachim deve continuar a fazer o golpe, cortando o alvo.

Uma vez que o movimento é essencial para uma espada cortar, é possível, na verdade, pegar a lâmina de uma espada afiada com as mãos. Na verdade, muitos manuais de esgrima medieval e renascentista mostram isto sendo feito para ganhar influência e poder de confiança em determinadas situações.

3. Existe uma Espada Superior

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Espadas, como qualquer outra ferramenta ou arma, são influenciadas pela função que supostamente devem executar. Por sua vez, a função de uma espada é projetada para ser um resultado do contexto cultural e técnico de seu tempo.

Por exemplo, sabres são excelentes armas para uma cavalaria ligeira que enfrenta adversários levemente blindados, mas eles se tornariam rapidamente inúteis pelo tipo de placa de armadura comum durante os séculos 15 e 16 da Europa. Não é nenhuma surpresa que, apesar de sabres serem conhecidos anteriormente, tenham atingido o auge de sua popularidade e tenham sido mais difundidos nos séculos 17, 18 e 19, depois que as eficazes armas de pólvora reduziram o apelo das armaduras pesadas.

Espadas não só variam por período de tempo, mas também por seu contexto social. Epees do século 19 só foram usadas em duelos com outras Epees, e que influenciou a sua evolução sem nenhuma influência externa.

2. A Kaskara Sudanesa é descendente das espadas dos cruzados

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Quando os imperialistas europeus do século 19 chegaram ao Sudão, eles encontraram espadas que superficialmente se assemelhavam a espadas medievais europeias usadas nas Cruzadas, por suas lâminas retas e empunhaduras em formato de crucifixo. Esta semelhança levou as pessoas da época a acreditarem que a Kaskara era descendente das armas medievais europeias. Como várias das cruzadas tinham como alvo o Egito, presumiu-se que era assim que os antepassados da Kaskara vieram para o Norte da África.

No entanto, as armas de lâmina reta com empunhaduras de crucifixo eram originalmente muito mais comuns em todo o Norte da África e no Médio Oriente, até serem substituídas em popularidade por armas cortantes curvas. É mais provável que a Kaskara seja uma sobrevivente destas espadas antigas.

1. Espadas de bronze são suaves

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Quando o bronze foi substituído pelo ferro nas armas de combate, a conveniência e o baixo custo tiveram muito a ver com isso. O ferro é um elemento natural, em vez de ser uma liga, e é bastante abundante. O ferro se funde a uma temperatura mais elevada do que o bronze e é mais difícil de fundir, mas uma vez que este problema técnico foi resolvido, este material ganhou sua popularidade com base no seu preço mais barato, e não como um resultado de uma maior dureza ou de aptidão para o combate.

Muitos dos primeiros produtos de ferro não eram mais duros do que as peças semelhantes em bronze. Estudos de espadas remanescentes de bronze da Europa Central concluíram que espadas de bronze foram na verdade funcionais como armas práticas. [Listverse]

Fonte Hypescience

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