Listada entre os piores métodos de execução, a decapitação tem longa história e, possivelmente, um longo futuro

Atualmente muito comum entre os membros do Estado Islâmico – dezenas de vídeos de prisioneiros decapitados foram postados na internet nesses últimos tempos – a decapitação tem uma longa história. Sendo a mais conhecida, associada a Elizabeth I da Inglaterra, em uma execução que marcou o fim de uma das disputas mais famosas da história.

Na manhã de 08 de fevereiro de 1587, Mary Stuart, rainha da Escócia, foi colocada em um cadafalso preto erguido no grande salão de Fotheringhay, que possuía dois ou três degraus de altura e continha um bloco de execução. A soberana da Escócia foi condenada à morte por sua própria prima, a rainha Elizabeth I sob acusação de traição. Após 18 anos de confinamento em casas fortificadas, Mary abençoou seus executores com uma frase marcante que os agradecia por “colocarem um fim em todos os meus problemas”, e ainda conseguiu dizer mais algumas palavras antes de ter sua cabeça separada do corpo.

Esse tem sido um dos métodos de execução preferidos da humanidade, a partir do momento que o primeiro homem inteligente das cavernas conseguiu fazê-lo apenas com uma pedra afiada. Desde então, o método evoluiu e nós separamos algumas das formas mais terríveis já utilizadas para a decapitação, confira:

1 – Decapitação como punição

A decapitação possui uma longa e variada história como forma de punição. Desde o início, a distinção social dizia muito sobre o método a ser aplicado. Se ela fosse realizada por meio de uma espada, supostamente significaria uma morte rápida e misericordiosa, ao contrário do que aconteceria com um machado. Obviamente que a morte mais misericordiosa era reservada a aristocratas e prisioneiros de alto valor, tradicionalmente tratados com um único golpe de espada. Já os camponeses e bandidos – que não valiam nem o preço de uma corda para o enforcamento – eram colocados em blocos e tinham seus pescoços arrancados por um machado.

Além de não ser o mais terrível dos métodos de execução em termos de dor, a decapitação é rápida, certa e eficaz. Enquanto as nações europeias cresciam, ele as procuravam exercer seus poderes de controle em todos os níveis das cidades, sendo assim, a decapitação, mesmo que por pequenos crimes, virou rotina.

Em 1800, um tal de “Código Sangrento”, criado na Inglaterra, havia prescrito penas de morte obrigatórias para mais de 200 crimes, incluindo pequenos roubos que hoje não valeriam mais do que R$ 100. Já na França, com o poder da monarquia enfraquecido pela Revolução, o desejo de cumprir com ameaças aumentou, elevando o número de decapitações. Para simplificar o processo e gerir melhor as vítimas que tinha pânico dos machados, Joseph-Ignance Guillotin sugeriu à Assembleia Nacional, que adotassem o uso de uma nova máquina de decapitação, a qual ele resolveu dar o seu próprio nome.

Cerca de 16 mil a 40 mil franceses – nobres, clero ou qualquer pessoa suspeita de ser inimiga da revolução – foram condenados à “Navalha Nacional”, também conhecida como guilhotina. Com o tempo, o público desses “espetáculos” foi diminuindo, mas o dispositivo foi utilizado até em 1977, quando a França marcou a última execução. A pena de morte por guilhotina foi abolida em 1981.

Atualmente, nenhum país do Ocidente permite a decapitação como uma punição legal. Entretanto, em países como Arábia Saudita, Iêmen e Catar, a decapitação ainda é uma opção.

2 – Decapitação como arma de guerra

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Algumas das formas escultóricas encontradas no antigo Egito e na Assíria já mostravam o entusiasmo dos reis mais poderosos pela decapitação. As cabeças eram tidas como prêmios de guerra desde muito antes da invenção da espada.

Em 1191, durante as Cruzadas, Ricardo Coração de Leão, soberano da Inglaterra nessa época, lutou firmemente até conseguir o controle da cidade dos muçulmanos sarracenos, Acre, perto de Jerusalém. Quando as negociações com os mulçumanos atingiram um impasse, o rei Ricardo cortou a cabeça de 2.500 dos 5 mil prisioneiros de guerra. As negociações foram retomadas e a Terceira Cruzada terminou com um tratado mútuo aceitável.

Após o Iluminismo, as sociedades europeias já tinham entendido que o derramamento de sangue era mais um dever desagradável do que uma diversão, com isso as matanças diminuíram. Já no Oriente, cortar as cabeças dos inimigos ainda era um procedimento comum até o século XX.

No Japão, que surgiu após o isolamento político de 1850 e imediatamente construiu um moderno império colonial, impôs seu tradicional respeito através da prática de decapitação com espadas para limpar cidades inteiras na Coreia, durante e Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894- 1895). Posteriormente a execução por decapitação foi substituída pelo tiro, no entanto, algumas cabeças ainda foram cortadas até o final do período imperial.

Os exércitos ocidentais podem até ter parado, oficialmente, de decapitar os seus cativos durante o século XVIII, porém essa atitude nunca foi abandonada completamente pelas tropas. O método ainda é usado como um tipo de violência com efeitos psicológicos em todo o mundo. A Legião Estrangeira Francesa – tropa de elite de França criada no século XIX – ensina os seus soldados a abandonar inimigos decapitados em campos abertos, com a finalidade de chocar o restante das tropas inimigas.

3 – Decapitação como propaganda

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O impacto psicológico de ver uma cabeça cortada, ou até mesmo ver o momento em que é cortada, é uma forma de propaganda eficiente e muito comum entre os grupos terroristas atuais.

O Estado Islâmico (ISIS) conhece bem esse departamento. Enquanto que a Al Qaeda sempre utilizava vídeos de decapitação para intimidar os adversários no exterior, o ISIS transformou o método de decapitação de prisioneiros em um espetáculo público. Ao contrário das decapitações judiciais realizadas na Arábia Saudita, o Estado Islâmico faz o procedimento com uma pequena faca para explorar ao máximo a carnificina e causar mais choque no público. Além disso, o adicional de ter uma vítima gritando e implorando por sua vida, maximiza o valor de propaganda.

Na região da antiga Assíria, as vítimas de decapitação do ISIS geralmente têm suas cabeças colocadas em pedaços de pau para exibição pública, com o objetivo de mostrar o poder e orgulho do Califado em matar americanos e outros inimigos.

Cortar a cabeça de alguém é uma maneira tão certa e simples de matar que provavelmente nunca cairá em desuso. Embora apenas três países do mundo atualmente permitam esse tipo de execução – e apesar de somente a Arábia Saudita realmente a usar –  o ato de punir traidores e combatentes inimigos irá persistir enquanto esse tipo de “teatro sangrento” for considerado necessário.

Fonte Jornal Ciencia

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