10 tratamentos médicos mais cruéis realizados durante a Idade Média

A Idade Média, iniciada no século 5 e se estendendo até o século 15 na Europa, foi marcada pelo domínio da Igreja Católica e pela economia ruralizada. As relações entre vassalos e suseranos prevaleciam, e há evidências de que as Cruzadas e a Peste Negra devastaram a população do continente. Logo, de acordo com o escritor e professor canadense de Inglês, David Morton, em um artigo para o site Oddee.com, essa época também foi palco de alguns métodos medicinais mais cruéis da história. Confira dez deles abaixo.

10 – Cirurgias realizadas a sangue-frio, anti-higiênicas e terrivelmente dolorosas

Os cirurgiões tinham pouquíssimos conhecimentos sobre a anatomia humana, bem como métodos antissépticos e anestésicos para livrar os pacientes de infecções e dores. No início da Idade Média, a maioria dos cirurgiões era composta por monges, pois eles tinham mais acesso à literatura médica – grandemente escrita por estudiosos árabes. Mas, em 1215, o Papa ordenou que eles parassem de praticar os procedimentos, e que instruíssem os camponeses sobre diversas formas de cirurgias.

Os agricultores tinham pouca experiência no assunto – exceto pela castração, realizada em animais -, mas tornaram-se responsáveis por executar procedimentos como remoção de abcessos dentários ou cirurgias de catarata.

 

9 – “Dwale”, o anestésico que podia ser fatal

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As cirurgias só eram realizadas em casos extremos, diga-se “de vida, ou morte”. Uma razão para isso é que não existiam anestésicos confiáveis. Algumas misturas eram usadas para amortecer o paciente ou induzir o sono, porém eram potencialmente fatais. A exemplo disso existia uma poção chamada “Dwale”, resultante da mistura de suco de alho, cicuta, ópio, vinagre e vinho, dada aos pacientes antes de uma cirurgia. Contudo, apenas a cicuta já era suficientemente fatal: além de induzir o sono, era tão forte que poderia interromper o processo de respiração do paciente.

 

8 – Rituais pagãos e penitência religiosa como forma de cura

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A medicina medieval era majoritariamente uma mistura de crenças pagãs, religião e Ciência. A exemplo disso, segundo especialistas, quando um curandeiro se aproximava da casa de um doente e encontrasse uma pedra nas proximidades, ele a viraria. Se sob ela encontrasse qualquer inseto ou verme, considerava uma indicação de que o doente se recuperaria.

No caso da Peste Bubônica, que à época era considerada pela Igreja um “castigo de Deus”, os doentes recebiam penitências como forma de cura. Logo, os diagnosticados precisavam confessar seus pecados e depois executar alguma devoção religiosa prescrita por algum sacerdote. Um dos “tratamentos” mais comuns, era que, para ser poupado da morte, o pecado teria de ser confessado de forma correta.

7 – Cirurgias de catarata que raramente salvavam a visão do paciente

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As operações para remoção de catarata eram realizadas com instrumentos afiados, como facas e agulhas grossas, sendo inseridos na córnea e forçando a lente do olho para fora do lugar. Obviamente, o processo não era agradável aos pacientes, que raramente conseguiam recuperar a visão depois disso.

Uma vez que a medicina islâmica se tornou extremamente popular na Europa Medieval, a cirurgia de catarata melhorou. Logo, seringas passaram a ser utilizadas para sucção e remoção da opacificação.

6 – Cateteres metálicos inseridos na bexiga para curar obstrução urinária

O bloqueio da urina na bexiga, que à época ocorria em razão da sífilis ou outras doenças venéreas – já que os antibióticos ainda não estavam disponíveis – eram “solucionados” através da inserção de cateteres metálicos através da uretra para a bexiga. O método foi usado pela primeira vez em 1300, mas se tornou bastante comum durante o período.

Quando o tubo não conseguia atravessar a bexiga, outros aparelhos eram utilizados, talvez apresentando um risco tão grande quando a própria doença. 

 

5 – A remoção de flechas em campos de batalhas não era nada agradável

O uso do arco floresceu durante esse período, mas criou um problema real para os cirurgiões de campos de batalha: como remover a flecha dos corpos dos soldados?

Normalmente, a ponta da flecha ficava dentro do corpo do soldado, sendo possível apenas a remoção do cabo. No entanto, para resolver isso, os médicos utilizavam colheres – idealizadas por um médico árabe – que quando inseridas dentro das feridas, “pescava” a ponta para a completa remoção.

As feridas eram tratadas por meio de cauterizações feitas com ferro em brasa, para selar veias e tecidos, prevenindo a perda de sangue e infecções.

 

4 – As sangrias eram a cura para quase todas as doenças

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Acreditava-se que a maioria das doenças era resultado do excesso de fluídos no corpo. A cura para isso, logicamente, era remover esse excesso, retirando grandes quantidades de sangue do paciente. Dois dos principais métodos envolviam o uso de sanguessugas e a flebotomia – abertura de uma veia para escoar sangue.

 

3 – Nos partos, as mulheres eram avisadas para se prepararem para a morte

Os partos na Idade Média eram considerados tão mortais que a Igreja avisava as mulheres grávidas para prepararem suas mortalhas e confessarem seus pecados.

As parteiras eram pessoas importantes dentro da Igreja, sendo regulamentadas pela Lei Católica Romana, devido ao seu papel de batismos de emergência. Mas houve uma época em que eram perseguidas por bruxaria. Logo, a Igreja decidiu que elas teriam que ser licenciadas por um bispo para praticar o ato, além de fazer um juramento de não usar magia durante os trabalhos de parto.

No caso dos bebês natimortos, eles teriam de ser desmembrados ainda no útero, para facilitar a retirada do feto de dentro da mãe.

 

2 – Clister: remédio inserido no ânus

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A versão medieval do enema era a inserção de um clister metálico, com a extremidade em forma de concha, no ânus dos pacientes. O dispositivo ajudava na injeção de fluídos no colón, por meio de uma ação de bombeamento.

O fluído mais comum utilizado era a água morna, ocasionalmente misturada com “medicamentos”, que incluíam bile de javali e vinagre.

 

1 – As hemorroidas eram tratadas com ferros quentes

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Os tratamentos para muitas das doenças durante a Idade Média incluíam orações a santos padroeiros e possíveis intervenções divinas. Um monge irlandês do século VII, chamado São Fiacre, era considerado o padroeiro dos que sofriam de hemorroidas. Ele teria desenvolvido a condição enquanto cavava seu jardim. Contudo, ao sentar em uma pedra sentiu que havia sido curado. A pedra, que ainda guarda as marcas de suas hemorroidas, ainda é visitada por muitos na esperança de uma cura similar.

No entanto, à época, os casos mais extremos eram tratados pela cauterização com ferro quente. Outros acreditavam que puxá-las com as unhas poderia ser uma solução – algo que já havia sido sugerido pelo médico grego Hipócrates.

[ Oddee ] [ Fotos: Reprodução / Oddee ]

 

Fonte Jornal Ciencia

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